• Mário Rocha

Boavista: lugar de entretenimento e memória.


Real Coliseu do Porto. Fonte: Monumentos desaparecidos

A Boavista foi sítio de entretenimento e diversão. Pelo final do século XIX, aqui ocorreram as feiras de São Miguel, vinda da Cordoaria, e dos Moços. Ainda assim, importa falar duma praça de touros que se localizou num terreno que, hoje em dia, está em frente à atual Casa da Música – o Real Coliseu Portuense.


É de salientar as consideráveis investidas no sentido de implementar a cultura tauromáquica no estilo de vida e lazer dos portuenses. Foram várias as vezes que se construíram praças de touros se bem que nunca foi inteiramente aceite esta atividade.


Por volta de 1870 - já a praça de touros da Aguardente (atual praça do Marquês de Pombal) estava em funcionamento - foi construído uma arena na rua da Boavista próximo do Hospital Militar. Durou 2 anos. Em 1889, numa nova tentativa, foi construído, então, o Real Coliseu Portuense. Era considerado um anfiteatro de relevo na altura. Além de ter uma capacidade para receber 8000 pessoas, tinha restaurantes e cafés. Perdurou 6 anos tendo sido demolido em 1898.



A Rotunda na Planta de Teles Ferreira, 1892. Fonte: Porto de Antanho

Tourada no Porto. Fonte: Porto Arc


Através das imagens conseguimos visualizar o Real Coliseu Portuense entre a praça da Boavista e o cemitério, assim como, um dia de corrida.



Facilmente associa-se a Boavista a um monumento icónico na cidade.


Trata-se de um pedestal erguido em honra à resistência e a vitória nacional e portuense aquando das Invasões Francesas no início do século XIX. De base larga, com cunho dramático, este pedestal apresenta grupos de esculturas nos quais encenam ofensivas de artilharia.


Recuando na história, Portugal foi alvo de um conjunto de invasões (1807 – 1810) por parte do exército francês de Napoleão com o intuito de controlar os portos portugueses. Estas ações militares inserem-se numa estratégia de asfixiação económica a Inglaterra não deixando que barcos ingleses atracassem em terras portuguesas. Portugal não aderiu ao Bloqueio Continental promovida pelos franceses devido à aliança que tinha à coroa inglesa e, assim, em 1807, o comandante Junot ruma a Lisboa.


Nesta primeira invasão é de salientar a colaboração espanhola através da presença de soldados galegos de Taranco.


Dois anos depois, Napoleão tenta novamente uma ofensiva. O marechal Soult invade o país pelo norte.


Registou-se uma onda de destruição, saques e violações desde Espanha até ao Porto. Perante uma resistência portuguesa ainda mal estruturada, os franceses romperam facilmente a cidade e aos locais restou escapar para Vila Nova de Gaia através de uma ponte construída com barcas e ligada por cabos.


Instalando-se o caos e o pânico, a multidão força a passagem acabando por cair ao rio, afogando-se um grande número de pessoas, não sabendo até hoje o número exato de mortes.


Apelamos aos velhos aliados, os ingleses, para que reconstruíssem o Exército Português – assim o fizeram!


Resistimos e vencemos.


No topo da coluna vemos a aliança anglo-lusa esmagando o poderio do império francês. Este monumento de 45 m foi desenhado pelo grande arquiteto portuense Marques da Silva e pelo escultor Alves de Sousa, construído pela famosa cooperativa dos pedreiros do Porto.



Chegada de D. Manuel II à rotunda para comemorar o início da construção. Fonte: Porto de Antanho

Mário Rocha | Contentor