• Mário Rocha

Boavista, diversão e trabalho



Centro Comercial Brasília. Fonte: Osvaldo Costa


A Boavista foi e é um ponto de atração de comércio e serviços. Exemplo disso foi a construção, em 1976, de um dos maiores e mais modernos centros comerciais da península ibérica – o Brasília.

É de lembrar que no local onde está situado este centro comercial esteve localizado um palacete da família Oliveira e Sá ligada à indústria das cordas.

Ainda assim, essencialmente o Brasília, desde a revolução de 1974, reflete uma viragem social e cultural da cidade a Oeste, uma quebra com o passado, uma abertura à internacionalização e modernidade. Foi crucial para uma desconcentração de interesses pela baixa da cidade, estabelecendo, assim, um novo eixo ou pólo.

Sobre isto, O letrista Carlos Tê e o músico Rui Veloso foram os produtores da “Rapariguinha do shopping” lançada em 1980. Através da letra é possível verificar essa necessidade de mudança com o passado tradicional.


Já não conhece ninguém

Do lugar onde cresceu

Agora só anda com gente bem

E vai ao sábado à noite à boite

Espampanante e a mascar chiclete

No vigor da juventude

Como uma estrela decadente

Dos bastidores de Hollywood


Entrando no Brasília, é possível, ainda, deparar com lojas de especialidade como é o caso de espaços ligados à música alternativa ou banda desenhada. Recuando no tempo, este centro comercial foi famoso pelas únicas escadas rolantes da cidade ou, ainda, pelo cinema Charlot que esteve em atividade durante 25 anos encerrando em 2001. É de referir 3 espaços de diversão noturna: Glassy, Romanoff e Griffon’s.



Estes são alguns bilhetes e convites. Fonte: Blog Hocoka



Estação do caminho-de-ferro da Boavista em 1875. Fonte: Porto de Antanho

Edificada em 1875, esta é uma imagem da antiga estação ferroviária da Boavista que inicialmente ligava o Porto à Póvoa de Varzim passando por locais como Senhora da Hora, Pedras Rubras ou o Mindelo. Inevitavelmente, a posteriori, esta linha foi alargada a Famalicão e, depois, Guimarães.

No que diz respeito à cidade do Porto, é de mencionar que em 1938 - com o propósito de conectar o centro da cidade à Boavista – foi construído um entroncamento da linha alongando-a até à Trindade.


Avenida de França em 1968. Fonte: Aventar.eu

No seguimento do entroncamento, aqui verifica-se o apeadeiro da Av. França, paragem anterior à da Trindade. A estação da Boavista foi encerrada e desmantelada no seguimento do Porto 2001.



Remise (primitiva) da Boavista c. 1900. Fonte: Porto de Antanho

Casa da Música é, sem dúvida, um edifício portuense de referência que, desde a sua construção, sustenta - se bem que não é o único exemplo - social e culturalmente uma zona da cidade fazendo jus a uma evolução clara, ao longo do tempo, da Boavista enquanto ponto de atração a vários níveis já referida anteriormente.

Ainda assim, perante este destaque evidente, importa referir o edifício que antecede a Casa da Música.

A Remise ou estação de recolha da Boavista foi um imóvel ligado aos transportes públicos nomeadamente a “Máquina” que era um veículo a vapor que puxava atrelados com passageiros; o Americano, de tração hipomóvel; e o elétrico – ainda em funcionamento.

Sobre estes transportes, é de peculiar interesse mencionar o trajeto que os portuenses faziam no Verão desde o centro da cidade (Carmo) até à Foz – estação de Cadouços – por um caminho largo onde agora se pode encontrar a atual Avenida da Boavista.

Desde a estação da Boavista, numa viagem com uma duração de 30 minutos, a “máquina” descia e virava à esquerda na Fonte da Moura – atual rua Correia e Sá – seguindo até ao largo de Cadouços. Daí percorria a Foz até Matosinhos.

É de informar, igualmente, que a Remise da Boavista foi um edifício de armazenamento e reparação.

Em 1928 houve um incêndio que quase destruiu por completo as instalações. No seguimento foi edificado um imóvel ainda maior com 20 entradas para as “máquinas”, americanos e elétricos. Ficou conhecida pelas “Vinte portas”.



Hospital Militar do Porto em Honra de D. Pedro V. Fonte: Amar o Porto

Fora da rotunda, é possível ainda encontrar um edifício histórico de elevado valor patrimonial. Desde o Cerco do Porto que havia a necessidade de se construir um hospital de raiz, mas só em 1862 é que se iniciou a edificação do hospital militar regional n.º1 D. Pedro V. Recebeu os primeiros doentes em 1869.


Mário Rocha | Contentor